Sexta edição do prêmio estreia categoria dedicada ao turismo regenerativo, em linha com o tema do evento em 2026, e anuncia a chegada de dois novos aliados institucionais
A WTM Latin America abre, nesta quarta-feira, 03 de dezembro, as inscrições para o Prêmio de Turismo Responsável 2026. Consolidada como uma importante vitrine de iniciativas transformadoras no setor de viagens, a premiação chega à sexta edição reforçando a proposta de valorizar projetos que unem propósito, inovação e impacto positivo em comunidades, ecossistemas e destinos da região. O registro das iniciativas deve ser feito diretamente pelo site oficial do evento.
As seis categorias do ano anterior foram mantidas e premiarão projetos relacionados às temáticas de mudanças climáticas, diversidade e inclusão, impacto socioeconômico, trabalho em rede, turismo indígena e valorização do patrimônio histórico. A principal novidade desta edição é a criação de uma categoria especial, exclusiva da WTM Latin America 2026, dedicada ao turismo regenerativo. Direcionada a gestores de destinos que já estejam implementando políticas concretas de recuperação ambiental e social, esta categoria inédita terá inscrições abertas em breve.
Pablo Menendez, consultor em turismo sustentável que atua em diversos países, e Aline Bispo, turismóloga e parte da liderança técnica da Rede BATUC – Turismo Comunitário da Bahia, curadores do prêmio reforçam que o propósito central desta edição é incentivar práticas que não apenas reduzam impactos negativos, mas que contribuam para regenerar ecossistemas, fortalecer comunidades e inspirar transformações sistêmicas no setor do turismo.
“O turismo regenerativo nos convida a pensar além do ‘fazer menos mal’ e avançar para o ‘fazer mais bem’”, pontua Aline. “Queremos reconhecer projetos que demonstrem que é possível colocar isso em prática por meio de iniciativas que devolvem vitalidade, estimulam colaboração e mostram que o turismo pode ser uma força ativa de renovação social e ambiental”, complementa a curadora.
Na visão dos especialistas, isso significa que empresas, profissionais e destinos devem ir além da mitigação de impactos. “É preciso restaurar ecossistemas, revitalizar economias locais, criar relações mais justas com comunidades anfitriãs e fomentar cadeias de valor que deixem benefícios tangíveis nos territórios”, detalha Menendez. “É um movimento de cocriação de soluções com as comunidades, regenerar áreas naturais degradadas, fortalecer culturas tradicionais e adotar modelos de gestão que priorizam o bem-estar coletivo. Não é só técnica, mas mudança de mentalidade”, acrescenta Aline.
Projetos sólidos, inspiradores e capazes de gerar mudanças reais
Os especialistas destacam que o avanço em qualidade das propostas inscritas registrado no ano passado deve ser mantido, o que configura um dos sinais mais claros da consolidação do turismo responsável na América Latina. “Percebemos não apenas um crescimento no número de projetos, mas, principalmente, no compromisso com as soluções apresentadas”, afirma Menendez.
A edição deste ano também marca a chegada de um novo parceiro institucional — a Aliança Yuluca–GSTC (Global Sustainable Tourism Council, que se une aos parceiros de anos anteriores — Adventure Travel Association, Muda! Coletivo Brasileiro pelo Turismo Responsável, La Mano del Mono, Planeterra e Winta. “Os novos parceiros trazem ainda mais rigor técnico e diversidade de perspectivas, algo essencial para reconhecer projetos realmente transformadores na América Latina”, explica Aline.
A avaliação das candidaturas será feita com base em critérios como resultados mensuráveis, impacto na comunidade local, sustentabilidade da gestão, originalidade, capacidade de influenciar fornecedores e visitantes e qualidade da experiência oferecida. “O formulário é o coração do processo. Não se trata de quem envia mais documentos, e sim de quem consegue demonstrar coerência, clareza e evidências reais do que está fazendo”, reforça Menendez.
Os curadores acrescentam que o prêmio é também uma oportunidade de reconhecimento e reforçam que nem sempre os projetos mais perfeitos são os mais valiosos. “Queremos ouvir histórias reais, que mostrem resultados concretos e vínculos genuínos com as comunidades”, diz Aline, lembrando que cada candidatura ajuda a desenhar um retrato cada vez mais fiel de como a América Latina está reinventando o turismo responsável.
A organização antecipou o cronograma de inscrições, garantindo que a lista de finalistas seja divulgada com um mês de antecedência em relação ao que ocorreu em 2025. A decisão deve viabilizar que boa parte dos representantes dos projetos selecionados participe da cerimônia de premiação, marcada para ocorrer na noite de 15 de abril, no Expo Center Norte.
Palco da premiação, o Teatro Transformation também será o cenário para nove painéis dedicados ao turismo responsável, consolidando a WTM Latin America como o evento com maior volume de conteúdo sobre o tema na região. “A premiação é parte de um movimento maior que busca promover discussões qualificadas, gerar conexões e estimular práticas inspiradoras”, finaliza Menendez.
Todos os finalistas terão visibilidade ampliada no evento e nos canais oficiais da WTM, algo que historicamente abre portas para novas parcerias, investimentos e oportunidades. Para Bianca Pizzolito, diretora da WTM Latin America, o prêmio representa mais do que um reconhecimento: é um instrumento de transformação. “Nosso papel é inspirar o setor a agir com consciência e propósito, mostrando que o turismo pode ser uma força capaz de cuidar das pessoas, dos lugares e do futuro que compartilhamos”, define.
